quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Conheça o mundo através das palavras

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Elias Figueiroa, Faculdade IESP, João Pessoa, Brasil

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Entrevista com o fotógrafo e músico Ivan Mesquita - Parte II

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Segunda parte da entrevista com o Ivan Mesquita. Agora ele fala mais sobre a faceta musical de sua vida. 

Confira!

CD - Além de fotógrafo, você também é regente de um coral formado por jovens. Como você descobriu essa veia musical?
IM -
Quando adolescente nem queria saber de cantar na frente de ninguém, imagine na frente da Igreja. Mas minha prima Késia me deu uma força e começei a cantar. Toda minha família é formada por músicos. Está no sangue. Cantei desde os 15 anos em coral e me apaixonei pela arte. Então, na nossa igreja, resolvemos criar o nosso coral. De primeiro nao queria ser o líder, mas quando Deus tem um plano, Ele nos capacita e nos dá força.

CD - Você faz ou já fez algum curso na área de canto/coral?
IM
- Infelizmente, não. Fiz umas duas ou 4 horas de aula de canto com uma professora muito boa de Brasília, ainda quando fazia parte de outro coral. A experiência e essas pequenas coisas ajudaram bastante.

CD - É patente aos olhos de todos a influência da música negra americana, tanto no coral que você dirige, quanto nas suas próprias interpretações. Como começou?
IM -
Sinceramente, eu não sei. Quando cantava no coral aqui da Igreja era lírico. No coral Cantares também eram cantatas líricas. Algumas vezes cantávamos algo mais atual. Mas sempre ouvia muita música black gospel. Ficava  encantado com as músicas e as interpretações. No fundo, eu sentia vontade de cantar e expressar toda minha adoração a Deus da maneira que eles faziam. A música contagia e toca os corações. Gosto muito de Kirk Franklin e Kurt Carr. Começei a ouvir mais esse estilo por influência deles. Sempre quis cantar esse gênero, mas nunca achava nada do tipo aqui em Teresina ou até mesmo no meio gospel brasileiro naquela época. Quando surgiu Raiz Coral e Leonardo Gonçalvez fiquei super animado de poder começar algo nesse estilo.

CD - Vocês estão em estúdio gravando o primeiro CD. Quais as expectativas?
IM -
Está tudo uma mistura de sentimentos. Um pouco de ansiedade, medo, animação, responsabilidade, confiança no Senhor. Eu penso às vezes que é muita responsabilidade, que não vamos dar conta, mas isso é pensamento de ser humano. Às vezes esquecemos de quem é o trabalho e quem é o provedor e dono de tudo.

Recebi uma mensagem no meu celular essa semana que era exatamente o que eu precisava ouvir: "Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Romanos 8.24-28" Aprendi a descansar no Senhor, que Ele é o dono da obra.

CD - Existe diferença entre o Ivaneil fotógrafo e o Ivaneil regente? O que eles têm mais em comum?
IM
- Nunca tinha pensado sobre isso... (risos) Boa pergunta. Vejamos...

Como regente eu sou mais humilde e tímido. Como fotógrafo sou mais ousado e confiante. Ambos buscam mais técnica e desenvolvimento. Regente é um trabalho em grupo e é bastante difícil às vezes. Já como fotógrafo, é algo entre mim e a câmera e esse dueto é mais fácil de conduzir. Ambos botam muita paixão no que fazem.

Agradecemos ao artista por topar ser nosso entrevistado e pela agilidade com que conduziu todo o  processo! Sucesso em tudo, Ivan!

Entrevista com o fotógrafo e músico Ivan Mesquita - Parte I

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Queridos,
como prometemos, entrevista com o Ivan Mesquita. A entrevista foi realizada por email e está sendo publicada em duas partes.


Confira a primeira, sobre fotografia:

CD - Há quanto tempo você trabalha com fotografia e como aconteceu esse romance?
IM -
Tudo começou com a minha primeira máquina digital (olympus), acho que uns 8 anos atrás... Era uma básica, mas dava pra fazer muita coisa legal. Fui tirando fotos pessoais e gostei muito. Depois de um tempo comprei uma semi profissional (Sony H5). E as pessoas começaram a gostar das fotos que eu tirava, só que eu não podia deixar de dar aulas ou ir à igreja pra fotografar. Resolvi tornar um extra job e agora estou fazendo alguns trabalhos pra manter o meu hobby, que por sinal é bem caro. Isso aconteceu aos poucos, a fotografia digital só começou a se expandir de uns 10 anos pra cá. Antes era limitado aos filmes e revelações. Hoje, com a manipulação e a possiblidade de compartilhar fotos nos sites de relacionamento, a fotografia se tornou bem  mais popular. Depois que comprei minha máquina semi profissional comecei a fazer trabalhos muito bons e a gostar mais ainda de fotografia. Olhando os sites de fotografia como olhares.com adimirava cada vez mais esse ramo. Quando viajava sempre sobrava pra mim o controle das fotos. O ruim é que a gente nao sai em quase nenhuma das fotos. (risos)

CD - Você faz books só para amigos ou pessoas que você não conhece também procuram seu trabalho?
IM -
No começo era só entre amigos e família. Fiz casamentos, books de amigos e familiares. Como minha mãe tem um buffet, ela faz algumas festas e já fala do meu trabalho. Então acabei fazendo (fotografando) algumas festa por aqui. E as indicações de amigos levaram para outros trabalhos. Hoje em dia faço pra todo mundo.

CD - Foi você quem produziu a capa do CD da Késia Mesquita?
IM -
Sim, foi. Nós fizemos um trabalho bem legal com cores tipo por do sol. Mas aconteceu que acabei tirando outras fotos dela por causa da sua formatura. Ela gostou dessas outras fotos também e quando enviou as fotos pra gráfica mandou fotos de cores diferentes, que não combinavam. Então decidiram pôr o CD em preto e branco. O resultado final ficou bom, mas não era bem a proposta que eu tinha de início. As pessoas estão dando um feedback bom e crítico ao mesmo tempo. Isso é bom pra gente nao errar nas próximas e fazer sempre algo melhor.

CD - Algumas pessoas podem querer saber... Qual é a sua câmera de trabalho? (risos)
IM -
Não é segredo (risos). Escolhi e pesquisei muito em fóruns e websites entre a Cannon e a Sony. Comprei uma SONY alpha 350. Essas duas marcas são as melhores do mercado na minha opinião. A única desvantagem da Sony é que ela é muito cara e os acessórios - tipo lentes - tambem são caros e difíceis de achar no Brasil.

CD - Você trabalha com editores como o Photoshop? Como vê o crescimento do uso desse tipo de ferramenta?
IM -
Sim trabalho. Acho muito show. Com essa ferramenta as possibilidades ficaram ilimitadas. Claro que tudo deve ser feito com moderação. Alguns fotógrafos usam de forma incorreta o photoshop e as pessoas ou lugares ficam muito artificiais. Isso tira a beleza da foto. Hoje também existe a arte digital: pintura digital, gravura digital, programas de modelação 3D, edição de fotografias e imagens, animação, entre outros através de fotos, vídeos, modificados pelo photoshop e outros programas. É algo bem diferente e o conceito é deixar a foto como se fosse uma arte. Tenho apreciado muito esse tipo de arte ultimamente, mas pra fazer isso só sendo fera mesmo. Esse tipo de arte já está crescendo muito. Acredito que surge aí uma nova classe de artistas além de pintores, desenhistas, artesãos, existem os artistas digitais.

CD - O que caracteriza uma boa foto e o que é necessário para se produzir uma boa foto?
IM -
São tantas coisas... Claro, todo fotógrafo tem que ter uma boa câmera, mas isso naum é o mais importante. As pessoas chegam e falam: - "Nossa! Que camera show! Quantos megapixels?" Mas não é só isso. Câmera boa não faz um bom fotógrafo.

    * Não adianta ter um celular ou uma câmera com 12 megapixels se você não tem uma lente boa. O que faz a camera é uma lente boa;
    * O que faz uma boa foto não são os megapixels e a lente. Mesmo tendo uma câmera top de linha, quando peço alguém pra tirar uma foto minha fica horrível. Quem faz uma boa foto é um bom fotógrafo;
    * A iluminação é algo super importante. Por exemplo: a luz do meio dia, como é de cima, projeta uma sombra errada e não muito boa. A hora mágica de tirar uma boa foto ao ar livre é de manhã cedo ou ao final da tarde. Nesses horários, a luz é rica em tons e as sombras são agradáveis, o que traz profundidade ao tema.
    * Claro, todo fotógrafo tem que ter noção de várias coisas como composição, iluminação, exposição, flash...

Mas além de tudo isso existe o momento e a criatividade. Ter um bom olhar não é assim do dia pra noite. Tem que ter prática, imaginação e às vezes sorte. Estar no lugar certo, na hora certa. O que se deve fazer é se inspirar em outras fotos e se perguntar como o fotógrafo fez isso. E tentar fazer o mesmo. Ainda tenho muito pra aprender. Assim como em todos os campos agente nunca para de evoluir.


CD - O que você prefere fotografar: pessoas ou paisagens?
IM
- Adoro os dois. Quando estou viajando, paisagens são o meu foco. Mas também gosto muito de pessoas. Nada como um bom modelo pra uma foto boa. Fico super animado quando alguém com talento quer fazer um book. Me divirto muito.


CD - Já participou de algum concurso ou exposição?
IM -
Ja fiz pequenas exposições no Shopping e em escolas. Tentei participar de um concurso cujo tema era "Jovens na prevenção das drogas". Pensei : - "Nossa, como vou montar uma foto que fale disso?". Tentei fazer algumas fotos mas não cheguei a mandar.;(


CD - E Deus? Como você o vê/interpreta na arte de fotografar?
IM
- Os céus manifestam a Glória de Deus. Nada melhor do que mostrar a Criação do nosso Deus através da fotografia. É muito lindo ver o que Deus criou com tanta perfeição. Ainda melhor é saber que Ele tem algo muito melhor pra gente no céu. Ja imaginou? Nem olhos viram nem ouvidos ouviram todas as maravilhas que Deus tem preparado para aqueles que o amam.

Na segunda-feira (27/09), publicaremos a segunda parte da entrevista.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Conheça o artista piauiense Zé Rodrigues

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O dom de transformar lixo em arte. A todos que passaram pela Praça Pedro II na última semana, a opinião é a mesma. Durante o 27° Salão Internacional de Humor do Piauí, foram expostas inúmeras esculturas do artista piauiense Zé Rodrigues, todas trabalhadas com sucata e que atraiam olhares de muitos, que apreciaram a peculiaridade desse artista que consegue em suas obras – mostrar a importância da música em sua vida - e aos amantes dessa arte tão presente no dia-a-dia de um ser humano.

“Meu Deus, eu vim aqui só ver esse trabalho. Uns amigos meus chegaram no trabalho dizendo que era a coisa mais linda do mundo e vim aqui comprovar. Eu realmente não tinha visto nada tão bonito e tão criativo”, afirma Rita Eloísa, que aproveitou para se tornar fã de Zé Rodrigues.

Há mais de nove anos, o artista piauiense Zé Rodrigues trabalha com ferro reciclado para fazer suas belas obras de arte. Utilizando-se de materiais como catracas, rolamentos, correntes e várias outras peças de sucatas, principalmente de bicicletas e motos, ele consegue transformar algo que iria para o lixo em um artefato único.

“A vontade que tenho é de levar todos pra casa. O acabamento é magnífico e só de olhar vemos que deve ter dado um trabalho danado. Essa exposição no meio da praça serviu para atrair ainda mais todo mundo”, diz o funcionário público José Carlos.

Também músico da orquestra sinfônica 16 de agosto, Zé Rodrigues conta que se apaixonou por essa arte, quando viu uma pequena peça na frente da Central de Artesanato Mestre Dezinho há dez anos. “Quando eu vi aquele objeto de ferro foi paixão a primeira vista. Logo percebi que podia criar outros objetivos com a sucata. Fui experimentando, sozinho mesmo, nunca aprendi nada com ninguém. Eu ia errando, acertando, até que a escultura saia exatamente como eu tinha imaginado na minha cabeça”, filosofa o autor das belíssimas obras.

Suas peças que variam desde R$ 50 até R$ 10.000, são muitas vezes transformadas em personagens do nosso folclore, músicos, animais, esportistas e até na imagem do cantor Michael Jackson. “Foi uma das peças mais trabalhosas que eu já fiz, demorou mais de dois meses pra ficar pronta, sempre tinha um detalhe aqui ou outro acolá que eu voltava para aperfeiçoar”, detalha Rodrigues.

Quando indagado se faria cópias de um projeto anterior, ele deixa claro que não é adepto dessa empreitada. “Eu acho que se eu fosse começar a fazer cópias do meu trabalho, estaria transformando minha arte em comércio e eu não quero isso. Cada trabalho meu é único e tem que ser original. O meu objetivo é fazer as pessoas entenderem que tudo pode ser aproveitado. O que é considerado lixo para uns, pode ser luxo para outros”, engradece.

Texto: Patrício Lima
Foto: Maurício Pokemon

Fonte: THEMusic